Repórteres: Li He; Liyuan Chen
O calendário dos paulistanos ganhou um novo feriado municipal: o Festival do Meio do Outono da China. Em 1º de dezembro, a Prefeitura de São Paulo publicou nota no seu diário oficial informando que a Câmara Municipal aprovou a Lei nº 18.342, que inclui o "Festival do Meio do Outono Chinês" no calendário oficial de datas e eventos do município, passando a integrar o conjunto de feriados legais da cidade. A proposta foi apresentada pelo vereador George Hato e sancionada com a assinatura do presidente da Câmara Municipal, Ricardo Teixeira. A lei entrou em vigor em 28 de novembro de 2025.
George Hato explicou que, por o Festival do Meio do Outono seguir o calendário lunar chinês, a legislação estabelece que a cidade de São Paulo celebrará o "Festival do Meio do Outono Chinês" anualmente em uma data a ser definida entre os meses de setembro e outubro." O Festival do Meio do Outono é uma das tradições mais importantes da comunidade chinesa, simbolizando reunião familiar, colheita e transmissão cultural", afirmou. Segundo ele, "São Paulo, como uma cidade multicultural marcada pela convergência de diferentes fluxos migratórios, ao incluir essa celebração em seu calendário oficial de atividades, contribui para fortalecer o diálogo com a comunidade chinesa e promover a integração entre os diversos grupos étnicos".
Por trás da instituição do Festival do Meio do Outono Chinês como feriado municipal em São Paulo, há também uma história representativa de intercâmbio cultural. Xiaohong Zhang, da cidade de Jinhua, na província chinesa de Zhejiang, e presidente da Câmara de Comércio de Jinhua no Brasil, tem organizado, por três anos consecutivos, em parceria com diversas associações empresariais chinesas de São Paulo, um evento de confraternização em celebração ao Festival do Meio do Outono, iniciativa que obteve ampla repercussão e forte adesão entre a população paulistana.
Em 2024 e 2025, por ocasião do Festival do Meio do Outono, o Instituto de Pesquisa de Arte da Ópera Wu de Zhejiang e a Companhia de Ópera Wu Zhongyue de Zhejiang participaram, em São Paulo, de uma série de eventos de confraternização em torno da data. O diálogo entre o samba brasileiro e a ópera Wu evidenciou o potencial do intercâmbio cultural entre diferentes tradições artísticas.
A Rua 25 de Março, um dos principais centros comerciais de São Paulo, foi palco da edição anual das celebrações do Festival do Meio do Outono, que atraiu grande público ao longo do dia. Entre danças do dragão e do leão, as apresentações de ópera Wu destacaram-se pela expressividade cênica e pelo impacto visual, atraindo a atenção de muitos paulistanos, que pararam para assistir às performances e reagiram com aplausos. Para muitos membros da comunidade chinesa em São Paulo, as apresentações foram motivo de orgulho. A ópera Wu, ao ser apresentada ao público local, foi percebida como uma forma de valorização da tradição cultural chinesa e de fortalecimento dos laços simbólicos com suas origens.
"O Festival do Meio do Outono celebrado no exterior é tão animado quanto na terra natal", afirmou Zhang Xiaohong, presidente da comissão organizadora do evento. Em meio ao público diverso que acompanhava a celebração, ele destacou, visivelmente emocionado, que "a ópera Wu permite que o público brasileiro conheça melhor a China e contribui para aproximar afetivamente a comunidade chinesa dos moradores locais".
Apresentações de ópera Wu, danças do dragão, nós chineses e o tradicional pastel da lua gigante sucederam-se ao longo do evento. O intercâmbio cultural encontrou eco junto ao público e gerou identificação. Representantes do Consulado-Geral da China em São Paulo e autoridades municipais paulistanas presentes no evento elogiaram a iniciativa, destacando que o Festival do Meio do Outono oferece uma nova via para fortalecer o intercâmbio cultural e promover o entendimento mútuo entre os povos da China e do Brasil.
China e Brasil, os maiores países em desenvolvimento situados nos hemisférios oriental e ocidental, compartilham características semelhantes que favorecem a aproximação entre seus povos. Xiaohong Zhang, após um período inicial de adaptação, consolidou sua atuação e estabeleceu-se de forma duradoura em São Paulo." Os negócios são importantes porque criam vínculos e necessidades mútuas", reconheceu Zhang. "Mas relações baseadas apenas no comércio não geram proximidade real. É preciso também promover o diálogo e a compreensão entre as pessoas", afirmou. Essa percepção o levou a deslocar seu foco do comércio para a cultura.
Diversas associações da comunidade chinesa em São Paulo chegaram rapidamente a um consenso: levar à cidade, de forma conjunta, o Festival do Meio do Outono de sua terra natal, juntamente com um de seus símbolos culturais mais representativos, a ópera Wu, apresentando-os em um espaço central da vida urbana paulistana. Xiaohong Zhang desempenhou um papel fundamental de articulação por meio da Câmara de Comércio de Jinhua no Brasil. Com o forte apoio do Consulado-Geral da China em São Paulo, ele se uniu a outras associações chinesas locais para realizar, por três anos consecutivos, o evento de confraternização do Festival do Meio do Outono, utilizando a cultura tradicional chinesa como um elo para fortalecer a amizade e os vínculos culturais entre a China e o Brasil.
Atualmente, as iniciativas de intercâmbio cultural da comunidade chinesa ganham cada vez mais força em São Paulo. Vivendo na cidade, Xiaohong Zhang afirmou que símbolos antes ligados apenas à terra natal hoje também encontraram acolhimento no contexto paulistano.
"A lua brilhante não pertence a uma só terra": símbolos culturais compartilhados deixaram de marcar distâncias e passaram a abrir caminhos duradouros de diálogo e entendimento entre os povos da China e do Brasil.