Mário Centeno: Mercado de trabalho "não tem défice de flexibilidade"

Vida IDOPRESS
Apr 22, 2026

O ex-governador do Banco de Portugal Mário Centeno disse hoje que o mercado laboral português "não tem défice de flexibilidade", realçando que poucos países no mundo têm níveis de flexibilidade laboral comparável à portuguesa.

"Há muito poucos países no mundo,e os Estados Unidos não são um deles,em que a rotação do emprego seja maior do que em Portugal. Há muito poucos países no mundo que tenham níveis de flexibilidade laboral comparável à portuguesa",argumentou Centeno,no encerramento da 3.ª Conferência Anual do Trabalho,organizada pelo Eco,em Lisboa.

 

O economista assegurou assim que,na sua visão,não há um défice de flexibilidade no mercado laboral português.

Centeno salientou ainda que é necessário analisar os dados com cautela,sendo que,por exemplo,o desemprego jovem não é uma boa estatística,principalmente quando estamos em pleno emprego,porque "estes jovens estão desempregados porque rodam de emprego para emprego e são apanhados na estatística naquele momento como desempregados".

Olhando para os dados,da flexibilidade e da rotação de emprego,se calhar até há "demasiada mobilidade em Portugal",assumiu.

Para o ex-governador,o que é necessário é estabilidade,previsibilidade e credibilidade,para ter "bons processos legislativos e boa condução da política económica".

Centeno defendeu desta forma que as alterações legislativas devem ser precedidas de análise dos dados,como aconteceu nas alterações de 2007,quando foi feito o Livro Verde e o Livro Branco antes de se avançar com a mudança da lei laboral.

O economista argumentou também que "não é a legislação laboral que impede a melhoria da produtividade",tendo sido a "baixíssima formação e níveis de qualificação com que os portugueses entravam para o mercado de trabalho" que afetou este indicador.

O anteprojeto de reforma da legislação laboral,intitulado Trabalho XXI,foi apresentado em 24 de julho de 2025 como uma revisão "profunda" da legislação laboral,contemplando mais de 100 alterações ao Código do Trabalho.