Bombardeio em mosteiro budista em Mianmar mata 14; pelo menos 100 meditavam no local

Noticias do mundo IDOPRESS
Aug 22, 2026

Vítimas do bombardeio no mosteiro budista de Swel Le Oh,onde pelo menos 100 pessoas participavam de um retiro — Foto: Reprodução/X/ThomasVLinge

Um ataque aéreo militar atingiu um mosteiro budista e matou 14 pessoas na região central de Mianmar nesta sexta (21),informou um grupo de oposição e um morador à rede de televisão catari Al Jazeera. Veículos locais e a BBC também falam em 10 a 14 vítimas.

Mais de 100 pessoas estavam reunidas no mosteiro para um evento religioso no vilarejo de Swel Le Oh,no distrito de Myaung,a 75 km de Mandalay – a segunda maior cidade do país. Nway Oo,porta-voz da Organização de Segurança e Defesa Civil de Myaung (CDSOM),afirmou à Al Jazeera que um caça foi responsável pelo ataque.

Entre os mortos estariam pelo menos três mulheres. Outras 20 pessoas ainda ficaram feridas,estima a CDSOM.

O retiro,que duraria uma semana,marcava para os mortos e feridos uma parte da "quaresma budista",oficialmente conhecida como Vassa. Um morador do vilarejo,que pediu para não ser identificado,contou à agência Associated Press que duas bombas foram lançadas sobre o vilarejo em apenas 15 minutos. Sua sogra morreu no ataque.

As Forças Armadas não comentaram o ataque,mas já alegaram anteriormente que só atacam "alvos legítimos".

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Mianmar passa por uma guerra civil desde que o Exército do país tomou o poder do governo eleito em fevereiro de 2021. Aung San Suu Kyi,ex-conselheira de Estado de Mianmar – cargo equivalente ao de um primeiro-ministro – e vencedora do prêmio Nobel da Paz segue presa,aos 81 anos,desde que os militares tomaram o poder. Ela foi movida para prisão domiciliar em abril.

Os militares suprimiram com violência quaisquer protestos pacíficos desde sua ascensão. Por isso,alguns opositores resolveram partir para a resistência armada – seus grupos já controlam 42% do país,contra 21% do governo militar,segundo a BBC. O think tank americano Council on Foreign Relations estima que a guerra civil já tenha matado mais de 100 mil pessoas e feito 5,2 milhões de refugiados.

A região de Sagaing,onde fica Myaung,é um polo da resistência armada contra a junta militar – e por isso alvo fácil para ataques aéreos. O país passou por eleições legislativas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e,segundo a ONU (Organização das Nações Unidas),as hostilidades crescentes aumentaram também o número de bombardeios desde então.